quinta-feira, 30 de abril de 2009

Cemitérios.

Flores morrem.
As de plástico não, mas perdem a cor e saem de moda.
Já não servem mais, quando velhas e desgastadas, para enfeitar salas e aposentos.
Água-viva
Água cai do céu à noite e molha tudo.
Interrompe planos traçados ainda pela manhã.
Tudo morre.
Nada vive.
A pedra quieta, parada. Indefesa contra o martelo que vem sem dó.
Estilhaços. Centenas de pedrinhas. Indefesas. Quietas.
Morta. Atirada contra o passado, ou réptil. Finalidade: Matar.
Janelas molhadas.
Escorrem água e poeira.
Cinzas e bagas. Limpar o cinzeiro.
Aranhas. Neurônios. Morrem.
Nada vive.
Tudo morre.
Morta.
A porta.
Reta.
A seta.
Corte
A sorte.
Nos cemitérios existem lápides. Existem covas. Cheira a cal fresca no dia de finados.
Nos cemitérios existem lápides. Existem covas. Cheiram as flores no dia de finados.
A noite no cemitério é só à noite no cemitério.
Meu travesseiro cheira a mofo.
Minha cama cheira a sono.
A feira tem pessoas e conversas.
A feira.
A freira cheira a perfume barato.
O terço não é inteiro.
O Calvário fedia a merda.
Joana D´arc morreu.
Hitler também

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